Trabalhar em Equipe é uma ARTE

Desde que minha filha se mudou para Montreal para estudar Nutrição (isso foi em 2022), todos os anos eu e minha esposa passamos algumas semanas durante o verão canadense para matar as saudades e aproveitar um pouco da cultura e tradições deste fantástico país.

Neste ano, além de reencontrar minha filha, algo especial me marcou: o espetáculo LUZIA, do Cirque du Soleil. Mais do que entretenimento, o espetáculo foi uma aula sobre cultura organizacional, confiança e trabalho em equipe.

Acredito que muitos já tenham ouvido falar, ou até mesmo tido a oportunidade de assistir a um espetáculo do Cirque du Soleil. Esta empresa foi fundada em 1984 na província de Quebec e mantém seu quartel-general internacional na cidade de Montreal desde 1997, funcionando como um laboratório criativo com oficinas, estúdios de treino e equipe multidisciplinar.

O Cirque du Soleil emprega cerca de 4 mil pessoas, entre artistas de quase 50 nacionalidades, e mantém seu compromisso com a comunidade local por meio de projetos sociais e culturais. O espetáculo LUZIA acontece dentro da estrutura de um circo, daqueles com lona e tudo, o que me trouxe boas lembranças da época de criança. É uma mistura de diversão, com palhaços, acrobacias, malabarismo, música e efeitos visuais. Vale a pena colocar na sua Wishlist (Lista de Desejos).

UM OLHAR mais profundo

Depois que passei a atuar como consultor, sou motivado a olhar para uma empresa na busca por entender melhor sua cultura e os seus processos. E não podia ser diferente com o Cirque du Soleil. O olhar crítico começou na entrada do evento, com destaque positivo pela organização impecável para levar as pessoas até as suas cadeiras (são várias sessões). O staff sempre sorridente e prestativo. Tudo funcionou perfeitamente, garantindo que absolutamente nada atrapalhasse a magia do local.

ATENÇÃO AOS DETALHES: O bico que caiu e ninguém percebeu

No começo do espetáculo, havia um grupo de acrobatas vestidos em maravilhosos trajes de pássaros. Os braços, ao se movimentarem, abriam uma estrutura de asas e no topo da cabeça, uma touca com penas e um bico davam uma visão impressionante de beleza enquanto as acrobacias aéreas eram feitas.

Em um determinado momento, percebi que o bico de um personagem se soltou de sua fantasia. Imagino que a maioria do público não tenha sequer notado. Quando isso aconteceu, um outro personagem percebeu e, imediatamente, pegou o bico do picadeiro e atirou para o amigo que rapidamente o colocou no lugar. Tudo isto enquanto o espetáculo seguia com mortais e piruetas. Uma perfeita sintonia! Claramente se percebe a preocupação de todos os integrantes com os detalhes, segurança e beleza.

AUTONOMIA COM PROPÓSITO: Cada um faz sua própria maquiagem

Apesar de haver um time responsável pela coreografia e figurino, cada integrante faz a sua própria maquiagem. Isto faz parte da cultura da empresa e demonstra toda a autonomia que é dada aos membros da equipe. Eles sabem que o propósito principal é encantar as pessoas, e este ritual é uma demonstração clara do seu comprometimento. Eu posso garantir a vocês que as maquiagens são impressionantes!

VIGILÂNCIA COLETIVA: Segurança é responsabilidade de todos

O nível técnico de cada apresentação é de arrepiar. Como se diz “no popular”, de ficar com o coração na mão. Logo, entendo que a questão “segurança” é inegociável. E aí veio outra observação muito interessante. Os próprios artistas são responsáveis pela segurança uns dos outros. Eles chamam isso de vigilância coletiva. Não há uma outra equipe. Eles mesmos montam os equipamentos no palco e garantem que estejam no lugar correto, da forma correta. Isso tudo na frente do público, enquanto o espetáculo acontece (não tem cortina fechada nunca).

O nível de confiança entre eles precisa ser grau máximo. Saber que, depois de um salto mortal, meu time estará lá para me amparar, é a maior prova de trabalho em equipe que qualquer pessoa poderia ter.

EGO ZERO: Quando o malabarista seca o palco

O espetáculo é composto de várias cenas. Cada mini-espetáculo faz com que um novo cenário e equipamentos precisem ser levados ao palco, enquanto outros precisam sair. Foi neste momento que notei uma outra coisa interessante.

Artistas que não estão atuando são responsáveis por levar e trazer os equipamentos de seus colegas! Isso mesmo, atuam como ajudantes fiéis. Houve momentos ao final de um show aquático, que reconheci um grupo de malabaristas que já havia se apresentado, secando o piso com rodinhos grandes. Que exemplo de humildade e senso coletivo.

DIVERSIDADE CRIATIVA: Uma linguagem universal

Artistas de todo o mundo fazem parte do Cirque du Soleil (mais de 50 nacionalidades) e muitos sonham em poder fazer desta trupe. Onde muitos poderiam ver este fato como um grande desafio, para eles a diversidade é fator chave de sucesso. São exatamente as mais variadas ideias vindas de pessoas tão diferentes que contribuem para a beleza do espetáculo.

Em vários momentos do show ouvi os artistas se dirigindo ao público em espanhol, inglês e francês. Não importava, pois, a linguagem do circo é realmente universal e o público sempre entendia a mensagem que estava sendo passada. Aliás, este é um dos pilares da empresa, inseridos em sua cultura. “Todos devem contribuir com ideias e esforços criativos”.

O QUE AS EMPRESAS E AS EQUIPES podem aprender com o Cirque du Soleil?

Impossível não aproveitar essa “aula” de trabalho em equipe para tirar bons insights para qualquer empresa, de qualquer segmento. Começo aqui com uma dica fundamental: dar autonomia é uma das formas mais eficazes de fortalecer o senso de pertencimento e responsabilidade nas equipes. Empresas que incentivam colaboradores a tomarem decisões no dia a dia (como os artistas fazendo a própria maquiagem) geram mais engajamento e menos dependência da chefia. É muito comum ver líderes praticando o microgerenciamento que só gera estresse, perda de tempo e motivação. 

Outro ponto de destaque é a interação entre os membros da sua equipe. Os seus colaboradores se preocupam com o time? Com a empresa? Com a sua marca? Ou estão focados única e exclusivamente em suas tarefas individuais? Em vez de esperar que “alguém resolva”, cultivar um time que se cuida mutuamente evita atrasos, desperdícios e falhas graves.

Um time vencedor não é aquele com os melhores jogadores (temos o exemplo na nossa seleção canarinho) mas sim aquele onde todos jogam juntos, dão apoio a todo momento e vibram pelo sucesso geral.

Temos em nosso DNA o gene chamado “Atitude de Dono”? Aquela que faz cada um se importar com o todo e não apenas com a sua tarefa. Sim, precisamos de equipes que tenham atitudes que vão além de suas funções, sejam elas tão ou menos nobres que aquelas pelas quais somos pagos. E isto só funciona quando a liderança começa dando o exemplo, mostrando como se deve fazer, como se comportar, como contribuir além do esperado.

Lembre-se que sua empresa não é só o que os clientes enxergam (isso está nas propagandas, no marketing, nas feiras, nos outdoors, nos produtos, nos pontos de vendas) mas é o conjunto de diversos outros elementos como a produção, a limpeza, a segurança. Por isso não adianta querer aplausos no palco (resultados), se o backstage (processos, pessoas, clima) está com problemas. A cultura organizacional forte, com foco no indivíduo, precisa estar presente em toda a organização.

Se algumas das lições que aprendemos com o Cirque du Soleil puderem ser implementadas em sua empresa ou em seu time, estou certo de que você criará um futuro mais próspero com resultados exponenciais.

InspiRHe-se no palco para transformar os bastidores da sua empresa.

QUE TAL COMEÇAR HOJE?

Recursos Adicionais

Cirque du Soleil
https://www.cirquedusoleil.com

História do Cirque du Soleil
https://www.cirquedusoleil.com/about

Espetáculo LUZIA (sinopse e agenda)
https://www.cirquedusoleil.com/luzia

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