Queríamos ser uma mosquinha para estar na reunião do MOC, ver e ouvir as discussões e as decisões dos diretores. Este era o nosso desejo quando trabalhávamos no marketing da empresa, em uma das divisões de negócios, já faz algum tempo.
O MOC (Management Operational Comittee, Comitê de Gestão Operacional) era a reunião mensal dos diretores seniores das áreas de negócios junto com o diretor presidente (MD, Managing Director) da nossa subsidiária. As grandes decisões, os investimentos, as estratégias eram decididos ali, em nível executivo, que afetariam os negócios, o movimento da empresa, as nossas vidas, o nosso trabalho.
É assim em toda organização. Salas climatizadas e luxuosas, executivos de alto nível e poder, interesses e humores pessoais em disputa, as mentes sempre buscando o crescimento, as metas, o lucro. Pressão, pressão, muita pressão. Time is money! Relatórios de vendas, financeiros, de participação de mercado, de desempenho operacional, de tudo o que se possa apresentar para mostrar a saúde do negócio. Estamos indo bem ou não? Cumpriremos os objetivos do mês, do trimestre, do ano? Os líderes do topo decidindo sobre os rumos do negócio, de todas as pessoas, da empresa e criando o futuro para todos, às vezes bom, mas nem sempre. Daí a nossa grande expectativa.
As pessoas são o negócio. O destaque deste insight é o “Fator Pessoas” na equação, a proximidade a elas para se obter informações valiosas que auxiliem na tomada de decisões importantes. Os dados, as informações são frios, impessoais, objetivos, em azul ou vermelho, lucro ou prejuízo, acima ou abaixo do que se previu. E as decisões decorrentes destas leituras são diretas, pragmáticas, práticas e corretivas. Produtos são descontinuados, aquisições são efetuadas, fábricas surgem, headcount reduzidos, executivos substituídos. É o mundo dos negócios. Negócios com pessoas, para as pessoas, feitos por elas.
Li na semana passada reportagem da CNN sobre corte de 9 mil funcionários na Microsoft1, o maior corte em dois anos, e o segundo neste ano (em maio ela demitiu mais 6 mil funcionários em todo o mundo). Este é apenas um exemplo das decisões do top board, a direção principal de uma empresa. Em tempos de IA, esta parece ser uma tendência.

Também na semana passada encontrei em uma loja de varejo, algumas baterias e lâmpadas com a marca Kodak, perdidas em uma modesta gôndola. Triste! Kodak2 já foi a gigante e poderosa fabricante e líder de mercado do setor de imagens, câmeras, filmes e produtos fotográficos. No final da década de 70, a Kodak tinha 90% das vendas de filmes e 85% das vendas de câmeras nos Estados Unidos, o principal mercado do mundo, e uma presença fortíssima ao redor do mundo (inclusive o Brasil). Tinha 100 mil empregados e um lucro de bilhões. Mas ela sumiu, desapareceu.
O erro? Não perceberam o tsunami que estava a caminho, não aceitaram a ideia de que o futuro seria digital, a fotografia e o registro de imagens inclusive, de que o lucrativo negócio dos filmes e câmeras se extinguiria, estava com os dias contados. Miopia de marketing, de gestão, de visão, de decisão de MOC em sala distante da arena dos negócios, o mercado, as pessoas, os consumidores, dos colaboradores.
As pessoas são o negócio. É para elas que as empresas, as organizações existem. Servir as pessoas, resolver os seus problemas, as suas necessidades, ajudá-las a ter uma vida melhor, mais prática, saudável, econômica. Clientes são pessoas, CPFs, e não CNPJs. Não importa qual seja o produto, o segmento do negócio, o setor de mercado, estaremos sempre servindo pessoas.
Líderes servem pessoas – CEOs, executivos, diretores, gerentes, supervisores, todos os líderes. É preciso ter sensibilidade e habilidade de se estar junto as pessoas do negócio, ouvir, entender e atender as suas necessidades, os seus anseios.
A decisão inteligente de uma empresa é conhecer bem o seu público-alvo, as pessoas que usam e consomem os seus produtos. Pode parecer óbvio, mas muitas empresas desconsideram, desprezam esta questão, dispensam pouco tempo e investimento à esta necessidade. Estão distantes das pessoas, os seus clientes. E, por isso, tem problemas, falham, sofrem, desaparecem.

O segundo grupo de pessoas do sistema são os colaboradores, a workforce, a força de trabalho que compõe a empresa para atender o primeiro grupo, os clientes. Outro desafio. Há que atraí-las, selecioná-las, treiná-las, motivá-las, remunerá-las, engajá-las para produzirem o seu melhor, a sua máxima contribuição. “As pessoas são o nosso maior patrimônio” costuma ser a frase de destaque em quadros decorativos de recepções e salas de reuniões, mas nem sempre isso é uma verdade. Com mais atenção, pode-se descobrir que o escrito e divulgado em teoria não acontece na realidade, na prática, no dia a dia no trabalho das pessoas.
Você se interessa pelas pessoas do seu negócio, as internas e externas? Separa tempo e agenda para encontros, conversas, pesquisas? Sabe quais são as suas principais necessidades, preocupações, o que desejam? Conhece as pessoas da sua equipe, seus interesses, aptidões, como estão e se sentem no trabalho? As suas dificuldades, as suas ideias, como gostariam de contribuir?
Gosto muito do CEO da HA-VAN, Luciano Hang. Separei para este artigo um post dele em visita a empresa de um fornecedor3. Ele está conversando com a equipe de colaboradores junto ao dono da empresa elogiando, agradecendo, demonstrando o seu apreço pelo trabalho deles, pelos produtos que eles fazem. Uau! Ele visita todo ano todas as suas lojas, (175 atualmente), se faz presente, conversa com todos, clientes, colaboradores, reconhece o valor, inspira, orienta. Ele é o motor da empresa, a alma da marca, a fonte de motivação, do brilho desta gigante do varejo brasileiro. Líder presente, ao vivo e em cores, entusiasmado, inspirador. A HAVAN pretende encerrar 2025 com 190 lojas e um faturamento estimado em R$ 18 bilhões. Para 2026, os 40 anos de aniversário HAVAN, chegarão à marca de 200 megalojas. Fantástico!
É isso! O Luciano sabe das coisas. Prefere o ambiente das lojas, a sua arena de negócios, e a companhia das pessoas que geram a riqueza da empresa – os clientes, os colaboradores, fornecedores, apoiadores. As pessoas são o negócio. Precisamos das pessoas! Quanto mais importante somos, mais precisamos! E o segredo do sucesso de uma empresa, negócio, é estar perto das pessoas que fazem a organização acontecer – os clientes, os colaboradores, os parceiros, a comunidade na qual ela está inserida.
Uma empresa existe para gerar riqueza e bem-estar coletivo para todos. A sustentabilidade organizacional vem daí, da participação ativa e intencional, do engajamento, da doação das habilidades e capacidades das pessoas para a causa, a visão do negócio, do coração e da paixão pela marca.
Uma imagem vale mais que mil palavras. Um filme também. A dica de filme inspirador desta semana é “O sabor que mudou a história4” (Flamin’Hot, 2023, disponível na Disney Plus). Você precisa assistir este filme, fazer uma “sessão pipoca” com a sua equipe, vai ser divertido, inspirador. Ele conta a história real de Richard Montañez que, partindo de um cargo de zelador na Frito Lay quando tinha apenas 18 anos, conseguiu se tornar vice-presidente de vendas multiculturais da PepsiCo após inventar o Cheetos Super Picante.
Durante o início de sua carreira na empresa, Richard levava os salgadinhos da fábrica para a sua casa e os misturava com especiarias mexicanas. Assim, surgiu a ideia do Flamin’Hot, que foi apresentada ao presidente da empresa e lançada oficialmente para todo o país em 1992.
“Eu sou PhD! Pobre, honesto e determinado!”, disse Richard, alegre e criativamente, em sua entrevista de emprego ao entrar na Frito Lay. Muito interessado em aprender, Richard não perdia oportunidades de conhecer os detalhes da produção dos salgadinhos da empresa. Fazia sempre mais para crescer, ajudar. Diferente dos executivos que estavam em seus luxuosos escritórios decidindo com base em seus relatórios, prestes a fechar as portas da fábrica por dificuldades nas vendas, Richard estava atento as pessoas, procurando ideias e oportunidades de criar algo novo.
Fica a dica. Ouça, respeite, valorize as pessoas do seu negócio, as de fora, as de dentro. Crie oportunidades para estar com elas, interagir, pesquisar, descobrir. Todas as respostas que buscamos para os desafios da empresa estão com elas, as pessoas do negócio. Elas são o verdadeiro e valioso negócio.
Eu queria ser uma mosquinha para estar na reunião que o Alahmar e o Bevilacqua (associados inspiRHe) estarão em breve, como conselheiros de uma grande marca e líder de mercado. Eles são Especialistas Mestres PhD neste assunto, gerar valor às pessoas do negócio, e contribuirão muito para o sucesso desta grande empresa. Parabéns, amigos!
Somos a inspiRHe! Visite o nosso website e saiba mais. Será uma honra e prazer ajudar você, sua equipe e empresa.
Gostou do artigo? Comente, compartilhe e inspire outros. Big abraço. Use os seus dons, as suas habilidades e talentos. Seja grandioso, continue brilhando!

Recursos Adicionais
1 Microsoft demite 9 mil funcionários
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/microsoft-demitira-cerca-de-9-mil-empregados-em-seu-maior-corte-em-2-anos/
2 Kodak. Da inovação a falência
https://www.startse.com/artigos/kodak-de-uma-das-empresas-mais-inovadoras-a-falencia/
3 “Nós amamos o Seu Antonio”. Luciano Hang visitando fornecedor.
https://www.instagram.com/reel/DLs7iD8R7n9/?igsh=MWIycDRwdmZpZ2ZldA%3D%3D
4 Trailer do Filme “O sabor que mudou a história” (Flamin’Hot, 2023, Disney Plus)
https://youtu.be/oOqLpxu4PiI?si=Z6G3om1ZVcA3sj3t



