Uma linha tênue entre o céu e o inferno
A boa comunicação deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma questão de sobrevivência no mundo corporativo. A má comunicação pode ser considerada uma das maiores vilãs dentro das organizações.
A comunicação corporativa tem um poder imenso, tanto para o bem quanto para o mal. Seu objetivo principal é criar uma imagem favorável da empresa para todos os seus stakeholders. Se for bem estruturada, irá fortalecer a reputação e as marcas da empresa que são ativos fundamentais para o sucesso sustentável. Se não, criará resultados negativos e prejuízos aos seus emissores.
Quando a comunicação falha
Atire a primeira pedra quem não teve algum tipo de desentendimento em algum grupo, seja discutindo questões como vacinação, política, religião ou até mesmo futebol. Não raros foram os casos em que as brigas e desentendimentos levaram ao rompimento das relações que, infelizmente, não se curam facilmente.
No ambiente corporativo, a comunicação deficiente já provocou quebra de empresas e até mesmo de governos. Ela pode ser considerada uma das maiores vilãs dentro das organizações.
Pesquisas mostram que:
- 49% dos funcionários relatam queda de produtividade por falta de clareza nas mensagens (Forbes).
- 68% já perderam tempo devido a problemas de comunicação interna (Project.co).
- Mais de 50% sentem estresse causado diretamente por falhas na comunicação (Grammarly).
- 86% dos funcionários e executivos citam falta de colaboração e ineficiência de comunicação como causas de problemas no trabalho. (Salesforce)
Danos profundos
O impacto é real: perda de engajamento, rotatividade maior, queda na confiança e clientes insatisfeitos. E, como se não bastasse, no modelo híbrido ou remoto o problema se intensifica, pois, muitos líderes ainda não sabem como se comunicar com clareza em ambientes virtuais.

A boa comunicação
A boa comunicação deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma questão de sobrevivência no mundo corporativo. Através de um bom plano de comunicação uma empresa é capaz de:
- Unir equipes em torno de um propósito.
- Prevenir crises internas.
- Aumentar a produtividade e a inovação.
- Encantar clientes.
Preocupação com a Reputação
Tudo isso afeta diretamente a “reputação da empresa”. Conforme definido por Elliot Schreiber, “reputação é um ativo intangível obtido por meio da criação de valor para cada um de seus stakeholders, e o risco reputacional é o resultado de não entregar esse valor”.
Vejamos o caso da Disney. Sempre fui um fã incondicional desta empresa. Além de apreciar a história inspiradora de Walt Disney, os parques e filmes estiveram presentes nas inúmeras viagens para Orlando com a minha família.
Mas alguma coisa mudou! A imagem da marca começou a perder o encanto, o brilho. Segundo a Axios Harris Poll, a Disney caiu do 37º lugar (em 2021) para a 76ª posição (em 2025) entre as empresas mais admiradas pelos americanos. Entre as categorias em que obteve as piores avaliações estão “caráter”, “confiança” e “ética”.
Sim, estamos falando da Disney World. Analisando os fatos, vemos que nos últimos anos a empresa mudou alguns de seus pilares estratégicos como, por exemplo, o foco no treinamento de seus funcionários (descontinuou o Programa “Reimagine Tomorrow”) assim como a sua política de inclusão. Com seus valores questionados pelos clientes, funcionários e parceiros, a empresa começou a perder a sua relevância e ter a sua reputação afetada. Agora, basta aguardar o que o CEO Bob Iger (que já havia sido CEO e saiu em 2020, retornando em 2022) irá fazer para resgatar a alma, o carisma da empresa.
Cultura Organizacional
Em linhas gerais, a maneira mais fácil de explicar o que é Cultura Organizacional: “Como as coisas são feitas por aqui”. A Cultura cresce, querendo você ou não. Pode se transformar em uma bela orquídea, se for bem cuidada e regada, ou uma erva daninha que se espalha por todos os cantos do jardim.

Ter uma Cultura forte, baseada em valores positivos que sejam refletidos em comportamentos é o alicerce das grandes empresas de sucesso. E ela precisa andar de mãos dadas com uma boa Comunicação. Uma das formas de se fazer uma comunicação assertiva é usar estes 3 pilares:
- Você conta a sua história.
- Você engaja os Stakeholders em suas narrativas.
- Você divulga tudo o que faz, com inteligência, estratégia e mensagens claras.
Comunicação dentro dos Conselhos
Uma das provocações que o Conselheiro precisa fazer é revisitar o Plano de Comunicação da empresa. Ele existe? É conhecido pelos funcionários? Temos porta-vozes treinados e autorizados para falar em nome da empresa? Sabemos quais são os temas que estão sendo comunicados ao mercado?
Muitas vezes, a empresa aprende pelo lado mais difícil, no momento de uma crise. Quando não existe um plano de comunicação nestes casos, o desdobramento é, geralmente, sempre prejudicial à reputação da empresa. A demora e o silêncio vão exponenciar as fofocas e as presunções (sempre negativas, obviamente).
Para pensar…
1. Sua empresa avalia e mede a qualidade da comunicação, assim como mede vendas ou lucro?
2. Você, como líder, está preparado para dar feedbacks claros e construir confiança pela forma como se comunica?
3. Sua empresa tem um Plano de Comunicação claro? É de conhecimento geral?
4. Existe um plano de Gestão de Crise?
5. Quem são os nossos comunicadores oficiais para falar com o mercado?
Sim, a comunicação corporativa é fundamental para o sucesso de qualquer empresa, equipe, líder. Precisa ser um item constante de atenção da gestão e da liderança. Comunicação positiva, assertiva e profissional, sucesso, desenvolvimento e resultados extraordinários. Negativa, dúbia e amadora, fracasso, confusão e prejuízos. Uma oportunidade de ouro e de ganhos para qualquer organização, a melhoria e o aperfeiçoamento do processo de comunicação na empresa. Mãos à obra!



