Vai passar, se acabar. Tudo nasce, floresce, frutifica e morre.
O ciclo da vida para tudo, sempre.
“O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM.
O TEMPO RESPONDEU AO TEMPO QUE O TEMPO TEM O TEMPO QUE O TEMPO TEM”.
Gostou do trava-línguas? Este é um exemplo clássico de “parlenda” ligada ao folclore da língua portuguesa. As parlendas são versinhos com temática infantil que são recitados em brincadeiras de crianças. Na vida adulta, no trabalho e na vida profissional, não há tempo para brincadeiras, ele é assunto sério: “Time is money!”.
Tempo é dinheiro, lucro, retorno, sucesso. Há que se usar inteligente e produtivamente. O minuto que acabou de passar agora nunca mais voltará. Daí a conclusão de que o tempo é o bem, o ativo mais precioso que temos, é valioso, um dia ele termina, não se estende ou multiplica, precisa ser aproveitado sabiamente, ao máximo, vivido e utilizado conscientemente, gerar prazer, satisfação, orgulho, não dor, sofrimento, arrependimento. E não ser desperdiçado, jogado fora, de maneira inútil.
“Tudo passa, tudo se acaba, menos a graça de Deus!”, era a frase que a minha avó Maria costumava me dizer, com frequência. Ensinamentos de avó a gente guarda, respeita, aplica. A obsolescência vem daí, do tempo. Vai passar, se acabar. Tudo nasce, floresce, frutifica e morre. O ciclo da vida para tudo, sempre. O tempo é implacável, inflexível, inexorável, a constante mais democrática da vida, igual para todos, independente de origem, gênero, classe, faixa etária etc.

Obsolescência é o processo de algo se tornar obsoleto, ultrapassado ou inútil, seja por falha mecânica, tecnológica ou por superação por versões mais modernas. “Novidades envelhecem!”, frase esplêndida da escritora cronista Martha Medeiros (recomendo). Tudo o que foi, um dia, original e revolucionário se perderá no esquecimento até que algo novo surja e substitua o anterior. Ultrapassado, velho, desatualizado, antigo, tudo passa, tudo se acaba, é uma questão de tempo. Carruagem, gramofone, telégrafo, walkman, fac-símile (fax), telefone fixo. Arrasaram, foram febres de desejo e consumo, agora decoram museus, podem ser encontrados e conhecidos no Google. Na vida profissional acontece o mesmo, nós também passamos, nos obsoletamos.
A Vida, o período da nossa existência, é dividida em três grandes ciclos de tempo, iniciados com a letra P: 1. Preparação; 2. Produção; 3. Plenitude. A Preparação compreende os anos em que recebemos todos os cuidados e informações para que possamos viver, na fase adulta, independentes, por nossa própria conta e responsabilidade.
Na sequência, a fase da Produção, os melhores e mais produtivos anos de nossas vidas, dos 20 aos 50 anos, vivemos ocupados em atividades de trabalho formal. Aqui, usamos todos os conhecimentos e habilidades adquiridos para criar a nossa riqueza, o nosso patrimônio, para escolher uma profissão, desenvolver uma carreira, constituir família, para as conquistas pessoais. Produzir, realizar, alcançar sonhos e metas, gerar recursos para a velhice.
A fase da Produção também se divide em três ciclos: 1. Analista (Aprendiz ou Junior); 2. Especialista (ou Pleno); 3. Maestria (Consultor ou Senior). Nos primeiros anos em uma função somos treinados, orientados, aprendemos com os outros. Com o passar do tempo crescemos, evoluímos, desenvolvemos habilidades, alcançamos domínio e produzimos com excelência. Ao final, nos tornamos a referência, somos maestros, lideramos e formamos os novos.
Na Plenitude, iniciamos o terceiro tempo, a terceira idade. Declínio biológico, filhos criados, lar vazio, chegam os netos (a cereja do bolo), a aposentadoria, a redução de pressão dos círculos profissionais, das atividades de trabalho, de tudo. Tempo livre, talvez até demais, se não nos mantivermos ocupados, saudáveis, úteis.
Antigamente, a velhice durava pouco. A expectativa de vida era baixa, 60 a 65 anos. Aposentava-se e morria-se logo em seguida. Trabalhava-se em apenas uma empresa, uma única profissão, ocupação, e recebia-se, com muito orgulho, o relógio ou a caneta de ouro da firma, na despedida. Hoje, a expectativa de vida aumentou e, em breve, chegaremos fácil aos 100 anos de vida. O grande desafio? Tornar útil e saudável os 40 anos finais. A terceira fase precisa ser a melhor de nossas vidas.

Utilidade e valor, a obsolescência se dá pela perda destes atributos. A fotografia digital matou a de papel, a revelação do filme, a perda de fotos mal tiradas, as despesas e a demora para se ver os registros dos momentos da viagem de férias, do casamento, do nascimento do filho, da viagem de negócios, da convenção de vendas. Produtos, marcas, empresas e postos de trabalho desapareceram com esta mudança, evolução.
O celular matou o telefone fixo. O automóvel matou o chapéu. A internet matou a TV aberta, os jornais impressos, as revistas semanais e especializadas. As redes sociais mataram os contatos reais presenciais. É sempre assim. O novo, melhor, superior, toma o lugar do antecessor, reina gloriosamente até que outro apareça e lhe roube o posto, e então, o ocaso, a decadência, o desparecimento.
Assim também é na vida profissional. Ficamos obsoletos, velhos, ultrapassados. Você já se sentiu assim? O desafio está maior do que o seu perfil, a sua capacidade? Alguém sabe mais do que você e está fazendo melhor a sua função? Você não tem conseguido acompanhar as mudanças do seu setor, da sua profissão? Eu sim, algumas vezes. Se você ainda não passou por isso, fique tranquilo, passará. E aí temos dois caminhos, escolhas: ou aprendemos e nos adaptamos, nos ajustamos ao novo, a nova onda, ou encontramos um lugar onde a nossa contribuição continuará sendo percebida com utilidade e valor.
A Inteligência Artificial (IA) está se revelando o maior de todos os desafios da nossa história, até então conhecidos, para o nosso trabalho, o mundo corporativo, os negócios, as empresas. Novos aplicativos e programas estão, rápida e diariamente, fazendo de tudo, melhor, mais rápido, mais econômico. O relatório “Futuro dos Empregos 2025” destaca que cerca de 92 milhões de empregos, o que representa 8% da força de trabalho global atual, devem ser eliminados até 2030 devido à automação e ao uso crescente de IA em tarefas anteriormente realizadas por humanos. Uma nova era foi inaugurada, uma onda gigantesca, um tsunami de mudanças inimagináveis. Aprender, atualizar-se, ajustar-se, ou encontrar um lugar onde ainda se possa ser útil.
Em qual fase da Vida você está: Produção ou Plenitude? Analista, Especialista ou Maestria? Se na Produção, continua fazendo o seu melhor. Divirta-se, faça o que ama, aprenda e atualize-se, use ao máximo a sua capacidade, seja criativo e inovador, faça o seu trabalho melhor todos os dias, entregue mais do que o esperado, ajude os outros, os seus colegas, o seu chefe, ilumine e alegre o dia das pessoas, o lugar onde você está. Aumente sempre o seu valor e utilidade, estenda a sua relevância o mais longe que puder. Aproveite o tempo com sabedoria, não desperdice as oportunidades. Não importa onde esteja, brilhe ao máximo, seja a melhor versão de si mesmo.
Se na Plenitude, penso que existem muitas oportunidades aqui. Na verdade, penso que esta pode (deve) ser a melhor fase da vida. Filhos independentes, mais tempo livre, mais recursos, podemos criar uma agenda de ocupações e atividades mais alinhadas as nossas preferências e gostos – viagens, leitura, filmes, novos e antigos hobbies, fazer cursos, ir a eventos de interesse, encontrar amigos antigos e descobrir novas amizades, ajudar os outros.
A neurociência afirma que uma rotina positiva de atividades com significado e propósito gera mais dopamina, serotonina, endorfinas e oxitocina, os hormônios do bem-estar, promovendo mais saúde, satisfação, prazer, alegria, realização, longevidade, retardando o envelhecimento.
Na Plenitude temos duas missões básicas: 1. desfrutar ao máximo tudo o que realizamos e conquistamos; e 2. deixar o nosso legado, compartilhar com as pessoas os nossos aprendizados, conhecimentos e experiências que vivemos, influenciar e inspirar os demais, especialmente as novas gerações. Será um grande pecado e desperdício, se assim não o fizermos. Tornar a vida das pessoas e o mundo melhor com os nossos dons, talentos, expertises, a nossa história, os presentes que colhemos e ganhamos pelo caminho.
A velhice não é o fim, pelo contrário, pode e dever ser uma fase gloriosa, o “grand finale” do nosso espetáculo. A Plenitude é o estado de completo bem-estar, integridade e satisfação, a completude, totalidade ou abundância. O corpo e a força física declinam, o intelecto, a alma e o espírito não. A mente que aprende e ensina é mais longeva. Há que se viver intensa e intencionalmente bem esta fase, produtivamente, nunca parando de aprender, extraindo alegria e satisfação de cada momento, tornando o restante da nossa vida o melhor da nossa vida.
Tenho tido o prazer de continuar trabalhando com os amigos da minha jornada profissional, de 40 anos atrás. Esses dias, em uma reunião on-line com um cliente, fiquei observando os meus dois colegas, parceiros profissionais. Estamos de cabelos brancos, alguns mais, outros menos, mas cheios de vitalidade, sabedoria, competência, capacidade e o desejo de ajudar quem ainda não tem e viveu o que sabemos e experienciamos.

Ainda continuamos nos divertindo muito juntos no trabalho. Amamos os desafios que nos fazem pensar, criar, crescer e ajudar. E isto me dá muita alegria, orgulho. Estamos escrevendo e publicando livros, fazendo palestras, reuniões de negócios, realizando consultorias, encorajando e orientando os mais novos, líderes e profissionais, desenvolvendo e melhorando equipes e empresas. Há muito o que se fazer, não dá para parar, jogar fora tudo o que recebemos, aprendemos.
Faz alguns dias, assisti a um filme documentário inspirador, “Jiro Dreams of Sushi”. Este filme é uma maravilhosa lição sobre excelência, disciplina e legado. Ele conta a história de Jiro Ono, que completou 100 anos de vida no dia 27/10 recente, considerado um mestre mundial do sushi, dono de um restaurante renomado em Tóquio, reconhecido com o prêmio 3 Estrelas Michelin, a classificação máxima que um restaurante pode receber do prestigiado Guia Michelin, declarado e laureado pelo governo japonês como um tesouro nacional. Mais do que um negócio, Jiro nos mostra como a busca incansável pela perfeição e o amor pelo que se faz transformam qualquer profissão em arte. E ainda emociona ao abordar a transição do comando para a nova geração. Lições preciosas e pura inspiração para evoluirmos, para aumentarmos o nosso valor e utilidade. Imperdível!
Para encerrar, veja a seguir links de vídeos com exemplos inspiradores de pessoas e profissionais brilhantes na Plenitude que estão produzindo muito e deixando, significativamente, a sua marca e legado. Eles não se obsoletaram, pelo contrário, continuam utilizando toda a sua energia, paixão, conhecimentos e experiência para somar, contribuir, tornar e fazer o mundo melhor. É isso! Relevância, utilidade e valor que enriquecem e transformam as pessoas e o mundo.

Para pensar…
1. Eu aproveito o meu tempo com sabedoria, me dedicando intencional e apaixonadamente pelo que faço?
2. Eu contribuo com utilidade e valor no meu trabalho, para as pessoas, para a empresa?
3. Estou antenado as mudanças e me atualizo para os novos desafios? Eu gosto de aprender, de evoluir, mudar?
4. O meu trabalho impacta as pessoas positivamente e melhora o meu ambiente? Eu faço a diferença onde estou?
5. Profissionalmente, eu estou relevante ou obsoleto?
6. Como você está compartilhando o seu legado?
Gostou do artigo? Compartilhe e reflita com os seus pares, liderados. Inspire-se e inspire os outros! Nunca perca a chama!
Sessão Pipoca Inspiradora. Reúna a sua equipe, passe o filme e faça uma dinâmica de processamento. O que aprendemos, como podemos aplicar o aprendizado?
Filme Um Senhor Estagiário (The Intern).
Comédia, 2h1m, Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo.




